Recentemente
o jornalista Adebayo Vunge viu um artigo seu ser retomado pelo site
Club K. O artigo teve uma grande audiência e reacção dos leitores. Tanto
no site oficial do club de notícias, quanto na sua pagína no facebook
dezenas de leitores reagiram negativamente ao texto do jornalista.
Pessoalmente, acho o texto interessante e já ha muito que esperava que tal debate se levantasse. Mas tal
como a maioria dos leitores que reagiram negativamente ao artigo,
lamento a linguagem usada por Adebayo Vunge para caracterizar este
estilo de dança e música. Penso que não é certo chamar o kuduro de "arte
menor" e outros tantos adjectivos, quando na verdade é um movimento que tem estado a conquistar
espaço por mérito próprio e a destacar-se entre os vários estilos
nacionais.
Dizer que o kuduro é a unica arte pela qual Angola se faz
representar no mundo, penso que não corresponde totalmente com a
verdade. Não é pelo facto de em duas ocasiões ter sido surpreendido por
brasileiros a cantar kuduro para uma audiência em que se incluiam
Angolanos, que signifique que o kuduro seje o unico estilo angolano
conhecido além fronteiras. Também já estive em algumas partes do mundo e
sei que os estrangeiros admiram-nos mais pela Kizomba e o Semba do que
por outros estilos de música.
Nos Estados Unidos ja pude comprar Cd´s de
Paulo Flores, Bonga, Valdemar Bastos e Irmãos Kafala. Recentemente
encontrei a venda no Amazon algumas coletaneas de Kuduro e músicas dos
anos pré independência. Penso que isto é apenas uma constatação de que a
música angolana além fronteiras não se faz representar apenas pelo
kuduro.
O Kuduro começa a tornar-se conhecido internacionalmente
é verdade. Mas é bom que sejamos sinceros e admitamos que o que
realmente promoveu o nome a nivel internacional (sobretudo na América e
em outros países em que a música angolana não tem tido espaço) não foram
os grandes feitos dos nossos musicos. Antes pelo contrário, foi
sobretudo o grande hit de Don Omar "Danza Kuduro". E para sermos ainda
mais correctos, temos de convier que tal música tem muito pouco haver
com aquilo que conheçemos como kuduro. Mas no entanto, não deve ser
dificil admitir que aproximadamente 305 milhões de vizualizações no youtube é mais do que
publicidade suficiente para popularizar o tema central do hit de Don
Omar.

E
mais, o jornalista talvez tenha cometido mais um outro deslize no seu
texto quando se refere a estilos músicas como a Bossa Nova, Jazz e
Samba. Penso que não ha como misturar o Samba a músicas clássicas como
Bossa Nova e Jazz e considerar o Hip Hop e Funk como músicas ou danças
desprovidas de conteúdo suficiente para tornar-las referências ou
simbolicas. Que critérios aqui foram considerados para promover o Samba e
rebaixar tudo o resto?
Faz todo sentido que o debate em relação ao Kuduro deva continuar. É
preciso que se deia seguimento ao movimento e se ajude a tornar esta
música e estilo de dança uma cultura.
Para muitos o que se faz no Kuduro
em termos de melodia, instrumental e mensagem esta bem. Eu sou daqueles
que aprecio o ritmo mas acho que pode se fazer melhor no sentido de se
criar um padrão e tornar a música mais apelativa. Existem alguns Kuduros
com instrumentais que no meu ponto de vista são excelentes, mas com
mensagens negativas. Penso que isto acontece em qualquer estilo de
música. É uma questão de criatividade.
Não obstante isto, penso que existe
aqui uma grande oportunidade, para quem de direito, apoiar os produtores
no sentido de darem uma direção ao Kuduro que possa tornar-lo um estilo
de música e dança em que qualquer angolano, inclusive Adebayo Vunge, se
torne orgulhoso ao ouvir tocar da próxima vez que estiver no
estrangeiro e não só.