Monday, April 4, 2016

Estamos a Morrer

Sete e trinta da manhã, ouvem-se choros. Parecem muito próximos. Atordoado visto-me e saio apressado do quarto. É na rua, choram a vizinha Teté, acabou de falecer no posto médico do bairro.
Foi levada as pressas no carro da vizinha do outro lado da rua, mas não resisitiu.
É mais uma vitima do paludismo.
A algumas semanas que a vizinha vinha fazendo febres, andou pelas clínicas do bairro, mas de hoje não passou. Foi-se a vizinha Teté...
É o segundo óbito em menos de duas semanas na mesma rua. Choram-se outros óbitos rua sim, rua não. Quarteirão mais adiante e travessas...

Revoltados ou em solidariedade os vizinhos fecham as entradas da rua e mobilizam-se para limpar a rua. Removem-se as sucatas dos carros, limpa-se nos lados, por baixo e no interior. De cima abaixo a juventude vai varrendo a rua. Mexem nas valas e de facto a rua vai ganhando um novo aspecto!..

A muito que já não se faz sentir os serviços da Administração. O bairro está completamente degradado. Os contentores de lixo deixaram de existir, as águas dos esgotos e dos desperdícios domésticos escorrem em valas a céu aberto, confluem em um entrocamento causando o maior lamaçal.

Mais abaixo as águas continuam escorrendo de encontro ao mercado onde a poucos metros passa a vala da senado da câmara.

Na entrada do bairro mora o caos. As manobras perigosas dos taxistas, as zungueiras que ao final do dia perfilam-se perigosamente ao longo da enorme vala a céu aberto na cabeceira da vedação do aeroporto.

No interior da vala centenas de toneladas de lixo se misturam com águas putrefaz. Moscas de todos tamanhos rondam a vala. Ratazanas gigantes fazem-se a vala saídos das residências enquanto que outras retomam ao conforto destas depois de saciadas de imundices.

E assim renova-se o ciclo das doenças e mortes em mais um dos muitos bairros desta cidade capital.

Assim vai indo o Kassequel no 4 de Abril. Dia da paz e reconciliação nacional!..